E tudo que ela podia sentir eram as lágrimas quentes escorrendo pela face, os olhos estavam apertados, e doloridos de tanto chorar num dia só. Cada palavra que lhe era dita, lhe pesava até a garganta, como facadas, o coração estava apertado e acelerado. Era muita coisa ao mesmo tempo, num único dia tudo pareceu explodir, o vestido vermelho, o vestido amarelo ... a cama de forro rosa. Via coisas em toda parte, e houve um momento estranho em que se encontrou toda encolhida falando sozinha, abraçando-se com força, sem vontade de mais nada.
O estômago era um vão inacreditável, e a mente girava, a cabeça doendo. Algo pra se distrair ; uma balança enorme pesava os prós e contras ; e então, com toda idiotice e insegurança do mundo contou uma mentira .
E tal lhe cortou o coração, quando a tempestade aparente passou o que lhe restou novamente foi o vazio, e um escuro estranho. Mas agora ela ia mudar de verdade, iria parecer completamente feliz por fora, se queria morrer, que morresse por dentro, e sozinha, sem levar mais ninguém. O egocentrismo foi engolido pelo amor, e principalmente pelo medo.
♫ Hey ! How ! nós somos piratas assim ♫ ~ ela cantava baixo como antigamente ... ♫ te encontrar foi um privilégio ♫ ~ e então as lágrimas caiam quentes novamente, mas dessa vez ela estava escondida, no silêncio da noite onde todos dormiam, no abrigo do seu cobertor, agora com um espaço vago ao lado. E ninguém saberia desse momento em que lhe faltava a lucidez. Somente ela, suas lembranças e o medo. (Delírios de uma adolescente em fuga)
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