
Eu sempre considerei, escrever o único modo de me comunicar comigo mesma. Sempre considerei meus momentos de inspiração os momentos em que mais eu me encho de mim mesma. Sabe sociedade, eu tenho um bloqueio, um certo tipo de problema com você, simplesmente não consigo seguir teus padrões, simplesmente não gosto do que tu determina pra que eu vista, pro modo que eu fale. Eu bem queria, bem queria ser o modelo da perfeição, boa aluna, boa filha, boa cidadã , mas simplesmente não sou. As coisas são bem simples. Não sou nada do o que querem de mim.
Lembra quando eu disse 'preucupe-se quando eu me calar' ; então, é porque quando eu me calar ou eu estou acumulando e uma hora vou explodir, ou mais bobo ainda, não sinto nada. Nada de mim, nada de você, nada dos outros. Não tenho nem a mais leve impressão, nem a mais leve sensação.
Ultimamente tenho falado muito do vazio que eu tenho guardado, mas ele se torna cada vez pior, cada vez mais sério, antes não sentia ao redor, sentia apenas nós dois. Depois não sentia mais nem ao redor, nem nós dois, sentia apenas o meu vazio, e agora nem meu próprio vazio sinto mais. Não ouço mais meu amigo imaginário, que foi minha tentativa desesperada de me preencher, e não ouço mas a minha inspiração. As vezes quando paro pra pensar posso sentir a mais leve batida do meu coração, calma, lenta, vazia, opaca, fosca e quase parando. Ou eu só acho que vai parar.
Quem me vê assim, me sente tão leve, tão natural, quando na verdade sou apenas vazia.
'Quem você quer ser?' - Perguntou o mundo a ela, e ela apenas silenciou.
O mundo pode ouvir as batidas vazias do teu coração 'tum-tum, tum-tum'.
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